A ARTE E A LIMITAÇÃO ESPERADA DOS ARTISTAS

Olá!

A CASATEMPO, além de propor a divulgação e comercialização dos meus trabalhos e de tantos outros artistas incríveis, ofereceu – e agradeço desde já – esse espaço para que possamos contribuir com discussões sobre Arte, sobre nossos processos artísticos, divulgação de eventos que estejam ocorrendo pelo Brasil e tudo mais que for relevante nesse cenário, num país em que o acesso à arte sempre foi restrito, num momento político peculiarmente sensível.

Para iniciar minha participação neste espaço, refleti e decidi compartilhar uma questão que tem feito parte do meu dia a dia nos últimos anos: a limitação quase que imposta a artistas, como tentativa de defini-los em uma poética ou segmento.

A arte desenvolve diversos papéis na sociedade e não vou me estender sobre isso, mas o principal e comum a todas é o de comunicar, dialogar. Toda arte, seja a linguagem que for, é feita por um indivíduo que propõe algo a seu interlocutor. Simples. A questão é que existe uma pressão, uma espera que este artista dialogue sempre sobre a mesma temática, utilizando a mesma técnica ou, com muito cuidado e justificativas, apresente uma mudança gradual, palatável e que perdure por um tempo. Artistas que fogem a esse padrão podem ter sua “carteirinha de artista” (sic) questionada, invalidada. E isso não me serve.

Vale um adendo: Um artista pode passar toda a vida realizando pesquisa sobre um determinado tema ou técnica e isso é maravilhoso. Pode também ter interesse e aptidão por apenas um material. Isso também é ok e não é este o foco em questão.

Somos múltiplos, vivemos em um mundo diverso e eu, particularmente, estou o tempo todo observando, analisando e questionando o mundo em que estou inserido. Além disso, tenho curiosidade de experimentar técnicas e materiais diversificados e isto me abre um leque de opções para que eu possa representar da melhor forma o que desejo em meu trabalho. E assim o faço.

Seguirei utilizando a aquarela quando meu desejo for de representar o movimento dos orixás enquanto dançam, a tinta acrílica pura quando quiser enfatizar as suas cores e significados; desenharei e pintarei animais e plantas com lápis de cor quando tiver interesse em representar as cores e texturas de forma mais realista, trazendo minha primeira formação - Ciências Biológicas – à tona. Utilizarei tecidos, fotos, linhas, agulhas quando quiser me expressar por palavras. E assim seguirei com nanquim, giz pastel seco, oleoso, tinta a óleo, cerâmica, etc.

Como já disse, somos diversos, a arte é diversa, as possibilidades também. Limitar-me a uma técnica ou tema seria como trabalhar com roupas desconfortáveis, em uma salinha pouco ventilada de uma repartição pública.

Espero que mais artistas e espaços de arte abram-se para essa análise e discussão, pois estas limitações também representam limitação à sociedade e aos papéis da arte enquanto possibilidade de diálogo.

Marcelo Gerace


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